Inegavelmente, conforme os cães vão envelhecendo é comum que sejam acometidos por algumas doenças e problemas de saúde. Uma patologia que é bastante comum é o hiperadrenocorticismo em cães, que tem relação direta com as glândulas endócrinas.
O surgimento desses problemas é inevitável, afinal, com os avanços da medicina veterinária a tendência é de aumento da expectativa de vida dos animais. Com isso, os cães idosos são mais suscetíveis a desenvolver problemas poucos comuns na juventude. Também conhecido com Síndrome de Cushing, comum em humanos, essa doença é endócrina, ou seja, é ligada a produção hormonal. É uma patologia que, por ser silenciosa, muitas vezes, acaba tendo o diagnóstico tardio, quando infelizmente, as chances de cura com o tratamento são menores.
Se interessou pelo assunto? Confira neste artigo mais detalhes sobre essa endocrinopatia, como diagnosticar e quais tratamentos são mais eficazes. Boa leitura!

O que é Hiperadrenocorticismo em Cães?
O hiperadrenocorticismo, ou síndrome de Cushing, é causado pela produção excessiva de cortisol pelas glândulas adrenais. Esta condição pode ser dividida em dois tipos principais:
O hiperadrenocorticismo hipofisário e o adrenal. No primeiro caso, o problema é causado por um tumor benigno na glândula pituitária, que envia sinais para as glândulas adrenais produzirem mais cortisol. Esse é o tipo mais comum da doença, representando cerca de 85% dos casos. Já o tipo adrenal ocorre quando há um tumor nas próprias glândulas adrenais, que são responsáveis por produzir o cortisol diretamente. Esse tipo é menos comum, mas pode ser mais agressivo.
O cortisol, apesar de ser um hormônio necessário, em excesso, afeta negativamente o corpo do cão. Os sintomas podem variar, mas os sinais mais comuns incluem sede e fome aumentadas, perda de pelos, pele fina e propensa a infecções, além de fraqueza muscular e letargia. A barriga pode se tornar visivelmente distendida devido à redistribuição de gordura. Outro sintoma alarmante é o comportamento apático e a falta de energia do animal, que pode ser facilmente confundido com o envelhecimento natural, retardando o diagnóstico.
Se não tratado, o hiperadrenocorticismo pode evoluir para complicações mais graves, como diabetes, hipertensão, insuficiência renal e até problemas neurológicos. Portanto, o diagnóstico precoce e o manejo correto, incluindo uma dieta balanceada, são fundamentais para o bem-estar do animal. Os tratamentos podem envolver medicamentos para regular a produção de cortisol e, em casos mais graves, cirurgias.
Como identificar a doença?
A ocorrência de hiperadrenocorticismo em cães é maior em animais de menor porte, mas não é exclusivo e os sintomas são silenciosos, portanto, se confundem com o de outras patologias. De maneira geral, os sinais mais evidentes de que o cão está passando pelo problema são:
- polidipsia (aumento na ingestão de água);
- poliúria (aumento na freqüência urinária) e possível incontinência;
- polifagia (apetite exacerbado);
- aumento do volume abdominal;
- pele fina;
- queda excessiva de pêlo;
- maior ocorrência de dermatopatias;
- atrofia muscular;
- letargia (prostração);
- hiperpigmentação da pele (pele escura).
Vale lembrar que o animal não precisa apresentar todos os sinais ao mesmo tempo, por isso, é fundamental fazer uma análise criteriosa caso haja suspeita do problema. O diagnóstico pode ser feito a partir de exames, testes funcionais como de supressão ou dexametasona e teste de estimulação por ACTH. A ultrassonografia veterinária do abdômen também pode ser utilizada como auxiliar no diagnóstico de hiperadrenocorticismo em cães. Por meio do ultrassom no modo B é possível enxergar alterações no formato, contornos, ecotexturas e dimensões das glândulas.
Já no modo doppler , é possível observar alterações na circulação e na vascularização sanguínea que pode conter indícios de problemas endócrinos que levem ao hiperadrecorticismo. Portanto, identificar a presença da Síndrome de Cushing exige um conhecimento aprofundado em técnicas de ultrassonografia.
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De que forma é feito o tratamento?
O tratamento do hiperadrenocorticismo pode ser cirúrgico se houver um tumor na glândula adrenal, mas essa opção é menos comum e complexa. A maioria dos casos, cerca de 80%, está relacionada à glândula pituitária e é tratada com medicamentos orais. Como tanto a forma pituitária quanto a adrenal respondem bem a esses medicamentos, muitos veterinários optam por não realizar todos os testes diagnósticos para diferenciar entre as duas formas. Existem três tipos principais de medicamentos orais usados no tratamento da síndrome de Cushing em cães.
- Lisodren: Até pouco tempo, Lisodren (mitotane) era o único tratamento disponível para a síndrome de Cushing pituitária-dependente. Este medicamento é fácil e conveniente de administrar, relativamente barato e provavelmente continua sendo o método mais utilizado de tratamento da doença. O ponto negativo deste medicamento, são os possíveis efeitos colaterais e por isso, deve-se fazer monitoração sangüínea freqüentemente, enquanto o animal estiver tomando o medicamento. O uso de Lisodren é considerado uma forma de quimioterapia. Seu mecanismo de ação é o de destruir as áreas da glândula adrenal que produzem hormônios corticosteróides. À medida que o número de células produtoras de corticosteróides vai diminuindo, apesar da glândula pituitária continuar com sua produção excessiva de ACTH, a glândula adrenal não mais responderá da maneira correta, pois a quantidade de glucocorticóides produzido está diminuído. Os efeitos colaterais surgem, quando uma quantidade excessiva da córtex adrenal é destruída. Quando isso ocorre, os animais passam a necessitar de prednisona, seja por curto ou longo período. O Lisodren é administrado diariamente no início do tratamento, até que os sintomas da doença comecem a diminuir. Então, o medicamento passa a ser administrado semanalmente. Se os sintomas não tiverem diminuído até o 9ºdia de tratamento, um teste de ACTH é feito para determinar se a droga está surtindo efeito ou não. O Lisodren poderá então ser continuado e novos desafios de ACTH serão refeitos a cada 8 dias até que se obtenha os resultados desejados. Se o animal ficar letárgico e apresentar vômitos ou diarréia ou mesmo se o tratamento não mostrar resultados após trinta dias, então deve-se reavaliar o quadro. Se o tratamento der resultado, todos sintomas desaparecerão num período de quatro a seis meses. Uma pequena porcentagem dos animais poderá ter recaídas e necessitará do tratamento diário novamente, e algum período de sua vida.
- Tratamento de hiperadrenocorticismo hipófise-dependente e adrenal-dependente em cães.
- Cetoconazol: O Cetoconazol é um medicamento anti-fúngico oral que tem sido muito utilizado desde os anos 80. Um dos efeitos colaterais do cetoconazol é o de interferir na síntese de hormônios esteróides. Por isso, o cetoconazol ganhou popularidade como forma de tratamento da doença de Cushing. Porém, com o surgimento da L-deprenil (Anipril), o cetoconazol raramente é utilizado no tratamento do hiperadrenocorticismo.
- L-deprenil (Anipril): L-deprenil (Anipril) é o medicamento mais novo disponível no mercado, para tratamento da doença de Cushing e atualmente é a única droga aprovada e licenciada para tratamento de doença de Cushing em cães. O Anipril atua através da inibição do excesso de produção ACTH pela glândula pituitária. Por este motivo, este medicamento atua somente nos casos de hiperadrenocorticismo pituitária- dependente. Como 80% dos casos de doença de Cushing em cães são pituitária-dependentes, esta droga se tornou uma opção bastante popular no tratamento da doença. Uma das vantagens desse medicamento é o de não produzir tantos efeitos colaterais indesejáveis e o risco de destruir excessivamente a glândula adrenal, não existe. Além disso, não é necessária uma monitorização da glândula adrenal e exames laboratoriais com tanta freqüência, porque a droga não afeta diretamente a glândula adrenal. Algumas das desvantagens são o preço (um pouco caro se comparado ao Lisodren) e o de não ter nenhum efeito quando a doença está relacionada diretamente à glândula adrenal. O Anipril vem sendo utilizado amplamente e devido à sua segurança e eficiência, rapidamente está se tornando a droga de escolha no tratamento do hiperadrenocorticismo em cães.

Como a alimentação pode ajudar no controle do hiperadrenocorticismo?
Quando se trata do manejo do hiperadrenocorticismo em cães, a dieta desempenha um papel fundamental. Embora o tratamento medicamentoso seja indispensável, uma dieta equilibrada pode ajudar significativamente a controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida do cão. A nutrição adequada pode auxiliar na prevenção de complicações adicionais e no controle de problemas associados, como obesidade, diabetes e problemas de pele, que são comuns em cães com síndrome de Cushing.
Um dos maiores desafios com o hiperadrenocorticismo é o ganho de peso, resultante de alterações no metabolismo do cão. A dieta ideal deve ser formulada para ajudar a manter o peso corporal saudável, sem adicionar calorias excessivas. Isso pode ser feito com a escolha de uma ração com baixo teor de gordura, que evita o acúmulo de peso e o agravamento dos sintomas. Além disso, a ração deve ter um alto teor de fibras, o que auxilia na digestão e promove a sensação de saciedade, ajudando a controlar o apetite voraz que muitos cães com hiperadrenocorticismo apresentam.
Outro aspecto essencial da dieta é o teor de proteínas de alta qualidade. Os cães com Cushing frequentemente perdem massa muscular devido ao desequilíbrio hormonal. Uma ração rica em proteínas de boa qualidade ajuda a manter a musculatura, essencial para a mobilidade e saúde geral do cão. Além disso, nutrientes específicos como ácidos graxos ômega-3 e ômega-6 são extremamente benéficos para a saúde da pele e do pelo, que podem estar comprometidos pela síndrome de Cushing. Esses ácidos graxos possuem propriedades anti-inflamatórias, que podem ajudar a melhorar a condição da pele, reduzir irritações e promover o crescimento saudável dos pelos.
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Por fim, é importante lembrar que cada caso de hiperadrenocorticismo é único, e a dieta deve ser adaptada às necessidades individuais de cada cão. Consultar um veterinário ou nutricionista de animais de estimação para obter recomendações personalizadas é sempre a melhor abordagem para garantir que o cão receba a nutrição adequada.
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Conclusão
Inegavelmente, com o envelhecimento dos cães, a probabilidade de desenvolver condições como o hiperadrenocorticismo aumenta, uma vez que o avanço da medicina veterinária tem proporcionado uma maior longevidade para os animais. Essa condição, também conhecida como síndrome de Cushing, é causada pela produção excessiva de cortisol e pode trazer complicações significativas à saúde, como diabetes e problemas de pele. Infelizmente, muitas vezes o diagnóstico é tardio, devido ao caráter silencioso da doença, o que ressalta a importância de uma atenção redobrada por parte dos tutores.
No entanto, a boa notícia é que, além dos tratamentos convencionais, a alimentação desempenha um papel crucial no controle da doença. A escolha de uma ração adequada, rica em proteínas de qualidade, baixa em gorduras e com alto teor de fibras, pode ajudar a controlar o peso, fortalecer a musculatura e promover a saúde da pele e do pelo, melhorando significativamente a qualidade de vida do cão. Marcas reconhecidas, como Hill's, Royal Canin e outras, oferecem fórmulas específicas para atender a essas necessidades.
Em resumo, a combinação de uma dieta balanceada com o tratamento veterinário adequado é essencial para o manejo eficaz do hiperadrenocorticismo em cães. Manter uma rotina de consultas veterinárias regulares, além de monitorar constantemente os sintomas, pode fazer toda a diferença no bem-estar do seu cão. Portanto, se você notar algum sinal de alerta, não hesite em buscar ajuda profissional e adequar a alimentação do seu pet às suas necessidades específicas.
Perguntas Frequentes
O que é hiperadrenocorticismo em cães?
É uma condição endócrina também conhecida como Síndrome de Cushing, caracterizada pela produção excessiva de cortisol pelas glândulas adrenais.
Quais são os sintomas do hiperadrenocorticismo?
Os sintomas incluem aumento do consumo de água e da frequência urinária, perda de pelos, aumento do apetite, ganho de peso e fadiga excessiva.
Como é diagnosticado o hiperadrenocorticismo em cães?
O diagnóstico é feito através de exames de sangue e imagens, seguidos de uma avaliação detalhada por um veterinário especializado em endocrinologia.